“Cada pessoa tem a sua historia. - Cada pessoa tem uma familia. - Cada familia tem origems. - Você não é apenas o que você imagina que é!"


sábado, 26 de novembro de 2011

Barão de Tatui, trisavô de Tiffany, e o primeiro Viaduto do Chà, e a historia em São Paulo

atualizado 13 de dizembre 2013

Breve Biografia do Barão de Tatui

1831 nasce Francisco Xavier Paes de Barros na cidade de Sorocaba, em 24 de maio.
Filho do capitão Francisco Paes de Barros, "o Capitão Chico de Sorocaba" e de sua primeira esposa Rosa Candida de Aguiar, sua prima, irmã do Brigadeiro Raphael Tobias de Aguiar.


1853 bacharel em direito, formado pela Academia de SP.

Casou-se 1° vez com sua prima Getrudes Aguiar Paes de Barros, filha de seu tio, Bento Paes de Barros, Barão de Itu e Leonarda de Aguiar Barros, irma do Brigadeiro Raphael Tobias de Aguiar. Depois viúvo casou-se 2a vez com Cerina de Sousa e Castro, viuva do Cadete de Santos, Barao de Itapetininga, Joaquim José dos Santos Silva. Foi sem geração com o meu triavô, o Barão de Tatui, mas tive com o seu pirmeiro esposo 3 filhas. Uma delas casou com o Condé de Prates.

1879 em 19 de agosto recebe o título de BARÃO DE TATUI.

Foi influente membro politico e deputato por várias legislaturas.
1889, juntamente com outros aristocratas  e com o condé de Pinhal, cunhado de esposa do seu primo, o 2° Barão de Piracicaba, funda o BANCO DE SÃO PAULO.

Ele morreu em 6 de dezembre 1914 na sua residencia na Rua Florencio de Abreu.



 Viaduto do Chà

 texto de: 450 anos Sao Paulo

"NUMA tarde de maio de 1889, tôda a cidade de São Paulo alvoroçou-se e veio para a rua. Uma notícia correra como um raio: os Tatuí tinham perdido a causa.

Moravam êles num sobradão que ficava na Rua de São José (hoje Líbero Badaró), exatamente na entrada do Viaduto do Chá. Por trás do prédio desenrolava-se a grande chácara do "cadete Santos", Barão de Itapetininga.

O Barão de Tatuí, Francisco Xavier Paes de Barros (meu 3° avô, ou triavô) e a sua 2. espôsa, viúva do Barão de Itapetininga, opuseram-se sistemàticamente à desapropriação da casa, e conseqüente demolição, necessária à execução de uma obra pela qual o paulistano estava ardentemente interessado: a construção do Viaduto do Chá. Levando a juízo a questão, foram derrotados e a obra executada.

Desde outubro de 1877, começara a tomar vulto, com a aprovação do povo, a idéia já bastante divulgada de se levantar um viaduto sôbre o Anhangabaú, com a proposta apresentada pelo cidadão Jules Martin à Intendência Municipal, comprometendo-se a lançar uma ponte sôbre aquèle vale, onde passava o córrego do mesmo nome, isto a tròco de determinadas regalias, entre as quais a de poder cobrar uma taxa de passagem, com a qual cobriria as despesas.

Afinal, após mil dificuldades de ordem financeira, com a fundação da Companhia Paulista Viaduto do Chá, a coisa tomou vulto. Logo no primeiro dia, subscreveram-se 676 ações da Companhia, número que subiu, no ano seguinte, a 800. Segundo o primeiro cálculo feito, as obras montaram de 600 a 800 contos.

Depois disso, encomendou-se a armação metálica do Viaduto na Alemanha.

Os trabalhos rolaram morosamente. Em conseqüência o dinheiro foi-se acabando. A Companhia Paulista do Chá quase foi à falência. Por insuficiência de capital, a diretoria resolveu transferir os seus direitos à Companhia de Ferro Carril de São Paulo, que conseguiu terminar com êxito o audacioso projeto Jules Martin.

Entre a idéia da construção do viaduto (1877), a demolição da casa do Barão de Tatuí (1889), o início das obras (1888) e a inauguração (1892), decorreram 15 anos... o Diário Mercantil, de 15 de março de 1887, estampando uma sepultura, glosava o caso chistosamente com êste epitáfio:




Por alma do miserando 
que jaz nesta cova fria,
Oh! mortais que ides passando
Rezai uma Ave-Maria! 

O dia da inauguração do Viaduto - 6 de novembro de 1892 - foi um dia de festa para o paulistano. A solenidade foi, de fato, imponente, segundo o noticiário dos jornais da época.

Amanheceram, naquele dia festivo, enfeitadas de flores naturais as Ruas "Direita" e "Barão de Itapetininga". O Viaduto, também, foi vistosamente adornado com bandeiras, lâmpadas, arcos, e flores em abundância. Tudo parecia catita, tudo a capricho.

Muito antes da hora aprazada, começou a juntar gente. As autoridades apareceram de fraque e cartola. Nos lugares de honra, o Presidente do Estado, Dr. Bernardino de Campos, o Bispo Diocesano, D. Lino Deodato Rodrigues de Carvalho, os funcionários da administração, da milícia e do clero paulistano. Bandas de música tocaram o hino nacional, houve discursos.

D. Lino procedeu à bênção do notável empreendimento. O Dr. Bernardino de Campos cortou a fita verde e amarela e atravessou, acompanhado por todos, sob vivos aplausos da multidão, o Viaduto, assim o inaugurando. As bandas tocaram novas marchas.

Importaram os gastos com essa solenidade em 4:845$000, quantia obtida em subscrição popular.

E o povo paulistano, não escondendo a sua satisfação, começou a passear sôbre a ponte. E aquilo assinalou um acontecimento que empolgou a opinião pública.

Aconteceu, porém, que todos tinham que pagar. No primeiro dia, no dia da inauguração, não. Mas, já no dia seguinte, sim. Conforme contrato firmado com o Govèrno, fôra criado um direito de pedágio, a cobrar dos traseuntes e veículos: 60 réis por pedestre; 200 réis por bonde" 




Quais foram as razões que a casa foi demolida?

Historia de São Paulo

No ano de 1822, a maioria das terras situadas no Vale do Anhangabaú eram propriedades do Brigadeiro Francisco Xavier dos Santos. A região na época era chamada de Morro do Chá ou de Chácara do Brigadeiro Xavier. Com o falecimento do Brigadeiro as suas propriedades passam ser administradas pelo seu sobrinho Joaquim José dos Santos Silva, que as nomeou como Chácara do Cadete Santos, espaço que se estendia do Acu (atual Av. São João) até o Piques (atual Praça da Bandeira), incluindo também parte das atuais Ruas Líbero Badaró (aberta em 1787 como Rua Nova de São José, que mais tarde passou a ser chamada apenas de Rua de São José) e 24 de Maio, até a Praça da República.

Desde de 1841, até a data de seu falecimento, em 11 de junho de 1876, Joaquim José dos Santos Silva era considerado o homem mais rico da cidade. Com o decreto imperial de 7 de junho de 1864 recebeu o titulo de Barão de Itapetininga.


Joaquim José dos Santos da Silva, o Barão de Itapetininga, tinha este enorme chácara que ia desde a atual rua Líbero Badaró até a atual Praça da República. A horta do Barão de Itapetininga virou a rua Formosa em 1850. Cruzando com São João o coração do S.Paulo que começou a virar boêmio lá por 1890. Morreu o cadete dos Santos em 1876 e na sua casa viviam a sua viúva que se casou em 2° nupcias com o Barão de Tatui, Francisco Xavier Paes de Barros.  


(O Barão de Tatuí tinha cumprado em 1869 do Barão de Itapetininga também a fazenda em Araras que até aos meados do sec. XX pertenceu aos descendentes do Barão de Tatuí, onde faleceu 1956 a sua bisneta Maria de Barros, filha de Tito Paes de Barros que foi neto do Barão de Tatui).

Em 1874 a cidade de São Paulo tinha uma população de apenas 23' 253 habitantes !!! Em 1886 44' 033. Transformar a cidade num primeiro momento parece ser sido a fixação de élite de Sao Paulo :transpor ou urbanizar os vales, de "urbanizar e embelezar" e de sanear a cidade segundo as praticas vigentes na Europa oitocentista. A justificação de eliminação de estruturas coloniais foi doada  em parte tambem pela questão de salubridade dos ambientes, mas de seguro foi muito importante a aplicação de capitais num ambito ainda inédito.

Jules Martin parece ter simbolizado o espirito do empreendimento capitalista. Aluno de "école des beaux arts de Marseille" em 1848, chegou 1868 em Sorocaba (cidade natal de muitos membros de familia Paes de Barros !). No ano seguinte estabeleceu-se em São Paulo com sua oficina. Jà em 1877 Jules Martin propunha a construção de um viaduto e a criação de uma companhia para este objetivo.


Casarão dos Barões de Tatuí em ca. 1889, onde hoje é a atual Praça do Patriarca.

Fotografia da Rua Líbero Badaró, tomada da esquina da Rua Direita, aproximadamente entre 1870 e 1880. O prédio da esquerda era o antigo solar dos Barões de Itapetininga (mais tarde dos Barões de Tatuí), demolido em 1889 para a construção do Viaduto do Chá.

Os prédios da direita ficavam onde hoje abre-se a Praça do Patriarca. Primitivamente, a Rua Líbero Badaró chamava-se Rua Nova de São José e, posteriormente, apenas Rua São José, por ter sido aberta pelo Capitão General Marechal Frei José Raimundo Chichorro da Gama Lobo, que governou a Capitania de São Paulo de 5 de maio de 1786 a 4 de junho de 1788. Essa rua, até 1911, era uma viela estreita, com menos de 8 metros de largura. Seu nome foi mudado para Líbero Badaró por uma proposta popular, que foi aceita pela Câmara Municipal em 19/11/1889, quando Antonio Prado era o presidente da Casa. Determinou-se seu alargamento em 27/10/1910, realizado na administração do prefeito Raymundo da Silva Duprat (1911 a 1914), e vários melhoramentos foram empreendidos de acordo com o Plano Bouvard, aprovado em 09/09/1911.




Na segunda metade do século XIX, a cidade de São Paulo passou por um processo de crescimento que iria formar a sua paisagem urbana, fazendo-lhe uma importante capital do Brasil Império. O progresso veio com o ciclo do café, produto que por décadas garantiria a economia do país. 

A emergente cidade tinha no seu coração ruas de terra batida, quintais baldios e grandes chácaras, contrastando a paisagem urbana com o bucolismo rural. No meio daquele cenário bucólico estendia-se um vale de chácaras, local preferido para as crianças da época praticarem a caça aos passarinhos, onde eram cultivados hortaliças e o chá, ali introduzido por José Arouche de Toledo. Por este motivo o local passou a ser denominado Morro do Chá.

O aspecto bucólico do Morro do Chá foi aos poucos, sofrendo alterações com o progresso iminente, sendo abertas ali vielas e novas ruas como a Barão de Itapetininga, Formosa, 7 de Abril e Xavier de Toledo, transformando-se assim, em um novo bairro, que ficou conhecido como Cidade Nova.


Opondo-se à Cidade Nova, ficava do outro lado do Vale do Anhangabaú o núcleo tradicional do centro paulistano, a Cidade Velha, no qual se encontravam as principais ruas de comércio da cidade, desembocando no famoso Triângulo, delimitação das ruas 15 de Novembro, São Bento e Direita.
Constituído de ruas estreitas e irregulares, ladeado por pequenos largos e acentuadas ladeiras, o centro urbano velho da cidade passou a ser delimitado pelo excesso de atividade comercial que desenvolveu, ficando asfixiado pela falta de saída e interligação com o núcleo novo. Aos poucos, a idéia de uma ponte que pudesse unir a Cidade Nova à Cidade Velha passou a ser cogitada, fazendo-se cada vez mais necessária em face da grande cidade que ameaçava emergir a qualquer momento.

Para atender às necessidades de crescimento do centro paulistano, foi apresentado, em setembro de 1877, um projeto do engenheiro francês Jules Martin, para a construção de um viaduto de 180 metros de extensão sobre o Vale do Anhangabaú, unindo os dois núcleos, ou seja, a Cidade Velha à Cidade Nova.
O projeto de Jules Martin consistia em estabelecer a ligação entre a Rua Direita e a Rua Barão de Itapetininga, atravessando os terrenos de cultivo de chá da Baronesa de Itapetininga, sendo executado mediante a cobrança de pedágio pela passagem, através da Companhia Paulista Viaduto do Chá.
 

Às primeiras menções do viaduto do Chá, a Baronesa de Tatuí se opôs completamente à idéia, pois sua construção implicava a demolição da casa. 

As obras só se iriam iniciar em 30 de abril de 1888, já no fim da monarquia, sendo interrompidas um mês depois, devido à resistência de alguns moradores dos arredores. Moradores próximos não aceitavam ter seus imóveis desapropriados.
Entre eles estava o Barão de Tatuí e sua esposa, que possuíam, além de uma nobre casa, plantações de chá na região.
As obras para o Viaduto foram retomadas em 1889, após um longo e arrastado processo de desapropriação do sobrado do Barão de Tatuí, localizado em uma das cabeceiras do vale. Conta-se que o Barão recusava-se a sair da sua casa, só o fazendo quando a população paulistana, favorável à construção do viaduto, lançara às mãos picaretas e começou a atacar as paredes do sobrado.

Diante da pressão popular e com "argumentos" tão convincentes, o Barão de Tatuí decidiu abandonar a casa, pondo fim ao último empecilho para a construção do viaduto.




Fotografia tomada entre 1889 e 1891. Em 1º plano, a casa do barão de Tatuí, parcialmente demolida em virtude da Desapropriação judicial, a fim de dar passagem ao Viaduto do Chá. O espaço existente entre os telhados do 1º plano, e o leito Rua Nova de São José, hoje Rua Líbero Badaró, antes de seu alargamento. No vale, distinguem-se as primeiras fundações do Viaduto; a esquerda, Vê-se o correr de pequenos sobrados que davam frente para a Rua Formosa, havendo sido demolidos em 1935-1936, por ocasião da construção do novo Viaduto do Chá. Ao fundo a Rua Barão de Itapetininga.

O sobrado de taipa veio abaixo em 1889 e no que sobrou do terreno, junto da cabeceira do viaduto, o Barão de Tatuí mandou edificar um elegante palacete pelo escritório de Ramos de Azevedo (c.1894-1896), por sua vez demolido em 1912, em razão das remodelações urbanas ocorridas na região do Vale do Anhangabaú (alargamento da Rua Líbero Badaró)

Jules Martin, o idealizador do viaduto do Chá, odiava o Barão e a Baronesa de Tatuí, em função da oposição de ambos ao projeto do viaduto E, como uma das suas armas, nessa briga usou os seus talentos plásticos. Cartógrafo, desenhista, litógrafo, construtor, Martin abrira a primeira oficina litográfica da Provincial de São Paulo, chamada de Litografia Imperial.



Litografia de Jules Martin registrando a casa do Barão de Tatu´E a casa Prates semidemolidas. Em primeiro plano, o Vale do Ahangabaú.



Jules Martin ridiculizando os Barões de Tatui. Martin  assinava como "Formigas Tanajuras".
.Observação. "A tomada de bastilha" e a esquerda no inferior: "A Sra. Baroneza chorando a morte do Gallo de Torre".

Litografia de Jules Martin distribuída aos acionistas da Companhia do Viaduto do Chà.

Caricatura no jornal "A Platéa" do 21 de outtobre 1888- Referia-se ao problema criado pelo Barão de Tatuí que lutava contro a desapropriação de sua casa !



Com a derrota do casal na Justiça, que determinou a desapropriação do seu casarão, Jules Martin vingou-se, fazendo uma charge satirizandoa derrubada do casarão e a ridicularizar o Barão e sua mulher, publicando caricaturas de ambos.

As obras só seriam concluídas já na época da República. Em 6 de novembro de 1892, os paulistanos assistiram à inauguração daquele que se tornaria um dos símbolos míticos da cidade, o Viaduto do Chá. Era originalmente, uma estrutura metálica de 180 metros, importada da Alemanha, sendo a balaustrada decorada aristocraticamente em ferro.

Inaugurado esse primeiro viaduto do Chá, cobrava-se três vinténs de pedágio para quem desejasse atravessá-lo. Havia no centro um grande portão que se fechava à noite. A cidade era pacata, pois ninguém queria trafegar depois das dez horas por ali. Só a partir de 1897 com o Ato da Municipalidade, o trânsito teria tornado-se livre e gratuito. Esse primeiro viaduto durou até 1936. Com o crescimento da cidade, o intenso tráfego de bondes e automóveis, a velha estrutura já não atendia ao que dela se solicitava. 


A residência do Barão de Tatuí era uma grande construção em estilo colonial, que ocupava a extensão correspondente hoje ao edifício Conde de Prates até o edifício Matarazzo, sede atual da Prefeitura. o lado impar do Libero Badaró, no alto da encosta do Ahangabaú, entre a Ladeira São João e a Ladeira Dr. Falcão, era ocupado por construções modestas, de aluguel, pertencente ao Barão de Tatui. A unica edificação vistosa existente na rua era a sua própria segunda residência em terreno remanescente do antigo casarão do Barão de Itapetininga edificada por Ramos de Azevedo no inicio dos anos 90. Foi, por sua vez demolido em 1912, em razão das remodelações urbanas ocorridas na região do Vale do Anhangabaú e o alargamento da Rua Líbero Badaró. 

O Conde de Prates,marido de filha de Baronesa de Tatui e o seu pirmo marido o Barao de Itapetininga era "genro" do Barão de Tatuí e herdou as suas propriedades. Mandou construir, na década de 1910, na Rua Líbero Badaró, de costas para o Vale do Anhangabaú, os famosos palacetes gêmeos e um outro palacete. Os primeiros foram ocupados um, pelo Automóvel Clube e o outro, pela Prefeitura e Câmara . Esses palacetes foram demolidos, respectivamente em 1951 e 1970.

Em 1902, o viaduto teve seu tabuleiro reforçado para poder suportar a passagem dos bondes elétricos.
A abertura da Praça do Patriarca estava prevista já para 1906, quando se percebeu que o trânsito vindo principalmente do Viaduto do Chá encontrava dificuldades de escoamento quando chegava nas ruas estreitas do Centro Velho. Havia necessidade de se ter uma passagem mais ampla para a Rua Líbero Badaró e para o outro lado do Viaduto do Chá. Era um cruzamento de várias ruas que precisava ser descongestionado. Foi em 1911 que começaram os trabalhos de alargamento da Rua Líbero Badaró, que até então tinha somente oito metros de largura. De 1924 a 1926, foi realizada a reforma urbana que criou a Praça do Patriarca.


Tive o Barão de Tatui , salvo os palacete na Rua Florençio de Abreu e o na Libero Badaró tambem uma terceira casa em Sâo Paulo, na Avenida Tiradentes.. Escriveu o primo Victor que a sua mãe ,filha de Tito Paes de Barros e neta do Barão de Tatui, nasceu 1920 no palacete na Avenida Tiradentes 114. Explicou-me o meu primo que esse palacete foi costruido tambem por o Barão de Tatui e tinha sido vendida para o Governo de S. Paulo, que a transformou em quartel.
O curioso para mim é que  em 1892, os meus bisavós, Bento Paes de Barros e Emma von Körmendy foram residentes na Avenida Tiradentes N° 15, depois a volta em São Paulo, vindo da Vienna, Austria. 

Pergunta a todos:
  1. Conhece mapas ou planos de costrução de essa casa  e ano de sua construção ?
  2. As antigas numerações de seguro foram diversos. Sabe algo mais ?
  3. Quando o governo comprou essa casa e ampliou-a em quartel ?





Inauguração do Viaduto do Cha com ao fundo, a casa dos Barões de Tatui em parte demolida.




Viaduto do Chá em 1912, visto em direção à rua Direita. Ao fundo,a torre da Igreja de Santo Antônio. Nesse ano, foi demolido o segundo casarão do Barão de Tatuí e também o Bar Viaducto. O quarteirão da esquerda seria eliminado em breve para ampliação da praça.Logo ao pé do viaduto, vê-se a rua Líbero Badaró e o prédio que serviu à Camisaria Colombo. À direita, parte do conjunto residencial do Conde de Prates, que serviu ao Hotel de La Rotisserie Sportsman e ao Bar Cidade München, entre outros estabelecimentos.


Obrigada 
Victor, Eudes Campos, Sampa Historica (Felipe),Ely Mendes

fontes: 

texto : 
  • Blog Virtualia Viaduto do Cha, e
  • Livro de Raimundo de Menezes: São Paulo dos nossos avós, Edição Saraíva 1969
  • Livro de Hugo Segawa: Prelùdio de Metrópole, arquiteitura e urbanismo em São Paulo na passagem do séc. XIX ao XX, Atelie Editorial 2000.
  • Arquiamigos, Eudes Campos


fotografias:
  • Saudade Sampa publicadas por a Sra. Ely Mendes
  • prefeitura de Sao Paulo
outros
Sampa Historica

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Luiz Vicente de Souza Queiroz

"Ninguém doa nada que não lhe tenha sido dado para doar”




Attualizado: 7.12.2012

Um pouco de genealogia e historia 

Luiz Vicente de Souza Queiroz era por sua avó paterna tambem membro de familia Paes de BarrosEra neto de Genebra Leite de Barros e Brigadeiro Luiz Antonio de Souza. 
Genebra de Barros Leite era filha de Antonio de Barros Penteado (filho de Fernão Paes de Barros e Angela Ribeiro Leite) casado com Maria Paula Machado (descente de familia dos Jorge Velhos), ambos de Itu, vila riquissima com rivalidades com a Capital São Paulo. Salvador Jorge Velho e sua mulher legaram ä sua descendência aos tradições dos Jorge Velho. aos Penteados e aos Paes de Barros. Por todos essos troncos, os filhos de Antonio de Barros e Maria Paula Machado, participavam da nobreza paulista, costituida da essa casta dos descendentes dos primeiros povoadores portugueses e das 'indias guaianazes que os desposaram.

Antonio de Barros Penteado e Maria Paula Machado foram pais de: 1)  Angela Ribeiro de Cerqueira, 2) Joaquim Floriano de Barros, 3) Genebra de Barros Leite,  4)Escholastica Joaquina de Barros, 5)  Barão de Itu Bento Paes de Barros (meu 4° avô), 6) Barão de Piracicaba Antonio Paes de Barros, 7) "capitão Chico de Sorocaba" Francisco Xavier Paes de Barros (outro meu 4 avô), 8) Anna Joaquina de Barros, 9) Maria de Barros Leite.

Genebra de Barros Leite e Luiz Antonio de Souza Queiroz foram pais de 6 filhos:


1) Francisca Miquelina de Souza Queiroz (faleceu depois 1830) Francisca Miquelina de Sousa Queiroz foi casado com seu primo o coronel Francisco Ignacio de Sousa Queiroz, f.º do coronel Francisco Ignacio de Sousa (o que da “Bernarda” e irmão do brigadeiro Luiz Antonio de Sousa, pai de Miquelina ) natural de Portugal, e de Izabel Ignacia da Conceição, natural de S. Paulo

2.) Marquesa de Valença Ilidia Mafalda de Souza Queiroz, (1805-1877) casada com Dr..Estevao Ribeiro de Rezende, barão e Marquês de Valença. Era dama de honra de Imperatriz Dona Teresa Cristina.

3) Barão de Souza Queiroz, senador Francisco Antonio de Souza Queiroz, (1808-1891) casado com a filha do senador Vergueiro, Antonia Euforzina Vegueiro. Tambem uma sua prima: Sua bisavó Maria Rosa de Cerqueira, foi irmã de Antonio de Barros Penteado (meu 5° e avó do Barão de Souza Queiroz )


4) Comendador Luiz Antonio de Souza Barros (1809-1887 ) casado 1. com sua sobrinha, a filha de Marquesa Valença, Ilida Mafalda de Souza Barros, (falecida em 1847) 2. com Felicissima de Almeida Campos.

5) Barão de Limeira, Vincente de Souza Queiroz, (1813- 1872) casado com sua prima Francisa de Paula Souza, filha de Maria Leite, irmã de Genebra de Barros Leite,

6. Maria Innocencia de Souza Queiroz.

LUIZ VICENTE DE SOUZA QUEIROZ 

nasceu em São Paolo 12.6.1849. Era o 5° filho do Barão de Limeira, Vicente de Souza Queiroz e de Francisca de Paula Souza, que foram pais de 15 filhos.

Luis Vicente de Souza Quiroz foi entre outros primo
- primo em primeiro grau de Antonio Francisco de Paula Souza, o fundador de escola Politécnica em São Paulo.
- primo do Barão de Rezende (Estevão Ribeiro de Souza Rezende)
- primo do Marques de Itu (Dr. Antonio de Aguiar Barros, filho do Barâo de Itu,meu 4° avô)
- 4. primo de Dr. Prudente Moraes de Barros (presidente do Brasil), entre muitos outros.

Desde os tempos coloniais os Souza Queiroz estâo ligados a Vale Medio do Tiete por parentesco e interesses materiais. As suas propriedades se localizavam em Sao Paulo, Campinas, Piracicaba, Limeira Sao Carlos e Pinhal. Quando morreu seu avô, o brigadeiro Luiz Antonio de Souza, em 1819, os seus bens foram partilhados, alguns deles em Piracicaba.

Breve historia de Piracicaba

Em 1766, o capitão-general de São Paulo, D. Luís Antônio de Souza Botelho Mourão, encarregou Antônio Corrêa Barbosa de fundar uma povoação na foz do rio Piracicaba. No entanto, o capitão povoador optou pelo local onde já se haviam fixados alguns posseiros e onde habitavam os índios Paiaguás, à margem direita do salto, a 90 quilômetros da foz, no lugar mais apropriado da região. A povoação seria ponto de apoio às embarcações que desciam o rio Tiête e daria retaguarda ao abastecimento do forte de Iguatemi, fronteiriço do território do Paraguai.


Oficialmente, o povoado de Piracicaba, termo da Vila de Itu, foi fundado em 10. de agosto de 1767, sob a invocação de Nossa Senhora dos Prazeres. Em 1774, a povoação constitui-se freguesia, com uma população estimada em 230 habitantes, desvinculando-se de Itu em 21 de junho.

Em 1784, Piracicaba foi transferida para a margem esquerda do rio, logo abaixo do salto, onde os terrenos melhores favoreciam sua expansão. A fertilidade da terra atraiu muitos fazendeiros, ocasionando a disputa de terras. Em 29 de novembro de 1821, Piracicaba foi elevada à categoria de vila, tomando o nome de Vila Nova da Constituição, em homenagem à promulgação da Constituição Portuguesa, ocorrida naquele ano.


A partir de 1836, houve um importante período de expansão. Não havia lote de terra desocupado e predominavam as pequenas propriedades. Além da cultura do café, os campos eram cobertos pelas plantações de arroz, feijão e milho, de algodão e fumo, mais pastagens para criação de gado. Piracicaba era um respeitado centro abastecedor.


Em 24 de abril de 1856, Vila Nova da Constituição foi elevada à categoria de cidade. 
Em 1877, por petição do então vereador Prudente de Moraes, mais tarde primeiro presidente civil do Brasil, o nome da cidade foi oficialmente mudado para Piracicaba, "o mais certo, o correto e como era conhecida popularmente".


A tia de Luiz Vicente, Ilidia Mafalda casou-se com o Estevão Ribeiro Resende foram Marquesa e Marques de Valença,foram pais do futuro Barão de Rezende, Dr. Estevão Ribeiro de Souza Resende, primo de Luiz Vicente. O Barão de Rezende foi chefe politico, parlamentar do Império, vereador na Camara Municipal de Piracicaba, representante do Partido Conservador até a Republica. O Barão de Rezende foi para instalar-se perto de Piracicaba com a fazenda Sao Pedro. 1882 ele fundou o Engenho Central, com o objetivo de substituir o trabalho escravo pelo assalariado e pela mecanização. Vendido em 1899 à Societè Française des Sucrèries Brèsiliennes, devido as dificuldades de manutenção das máquinas importadas, foi transformado em um importante Engenho de Açúcar, com uma produção anual de 100 mil sacas de açúcar e três milhões de litros de álcool, incorporando-se a outras seis usinas.

A familia Souza Queiroz foi liberal até os meados do sec. XIX, mas não participou direitamente na Revoluçao do 1842 como o futuro Barão de Itu e o capitão "Chico de Sorocaba", ambos meus 4° avô e irmãos de Genebra de Barros Leite. O Barão de Itu e o Cap. chico de Sorocaba foram ambos casados com as irmães do Brigadeiro Raphael Tobias de Aguiar de Sorocaba que chefiara a revoluçâo do 1842 acompanhado dos seus cunhados.

Ainda em 1819 Genebra de Barros Leite era viuva, uma primeira dama da sociedade paulista que casou o mais jovem Jose de Costa Carvalho, que mais tarde (depois a morte de Genebra em 1836) era barâo, visconde com grandeza e marques de Monte Alegre em 1854. Ele collaboro com o cunhado de Genebra, Francisco Inacio de Souza Queiroz emtorno 1820.

José de Costa Carvalho, após a abdicação de D. Pedro I, em 1831, foi eleito para a Regência Trina Permanente, com o Brigadeiro Francisco de Lima e Silva e João Bráulio Muniz.

Documentos historicos parecem indicar que nunca mereceu simpatia dos de Barros de Itu e irmâos de Genebra os quais foram, cunhados do Brigadeiro Rafael Tobias de Aguiar que em 1842 casou com a Marquesa de Santos.

Os Senhores de engenhos e do Café seguiam o modelo dos Paula Souzas e dos Almeida Prados e eniviaram os filhos na Europa a estudar. Você immagina: Luiz Vicente com ca. 8 anos foi enviado em 1857 com o irmão na escola de agricultura e veterinária de Grignon, na França, instalda num antigo castelo do século XIII e tambem à Escola Politécnica de Zurique, então na Suiça Alemã onde estudou tambem o seu primo Antonio Francisco de Paula Souza. Em todo foi para 16 anos fora do Brasil!!!

Ele viveu assim o començo da Revoluçao industrial e o rearranjo dos estados em Europa depois a Guerra Franco-Prussiana em 1848 e  a criaçao do Reino da Italia 1861. Ví tambem a evolução dos sistemas bem organizadas de ensino de agricoltura em França e na Europa que de certo influenzavam mais tarde a sua vida em Brasil.

Essas escolas de agricoltura expressavam o fenomeno expansivo de Revoluçao Industrial, as demandas de mercado para os generos alimentares, do crescimento das cidades e fabris e das populaçoes operaias. Essos ultimos muito importantes, porque na Europa não tive escravadura, mas uma grande casta de operaios. A classe dos proprietàrios assim devia ser o portador do conhecimento téorico-pratico para o bom gerenciamento de uma propriedade  e de um bom rendimento de agricoltura no mercado. Essos "agronomos" foram formados em:
- economia e legislação rural, -agricultura, -zootecnica e economia do rebanho, -silvicultura e botanica, -fisica-quimica-geologia e -engenharia rural. 
Enquanto o simple agricultor e o compones obreiro deviam ser submetidos ao treinamento exclusivamento pratico, em outro tipo de aprendizato.
Em 1871 o comum de Paris impediu a retirada de muitos estudantes brasileiros para a Suiça.

Com 24 anos retornou Luis Vincente 1873 em Brasil e havia cursado Agronomia e Veterinaria.
1872 faleceu o seu pai e quando ele retornou em 1873 em Brasil recebeu por herança paterna, entre outros bens, a Fazenda Engenho d'Agua, localizada, entre Piracicaba e Limeira. 
Sendo sido para 16 anos na Europa havia assimilado costumes e sciencias de Paris, Suiça e Alemanha. Diventou assim pinoeiro e defensor da nova tecnica e educaçao para agricoltura que començou a tomar forma em 1880 em Piracicaba. 

Na cidade de Piracicaba, Luiz instalou uma empresa movida do vapor, a fábrica de tecidos, Santa Francisca, (nome em homenagem de sua mae) aproveitando parte das águas do salto do Rio Piracicaba como potencial hidráulico para mover suas máquinas. Em breve, com a fazenda fornecendo o algodão e a fábrica produzindo tecidos, conseguiu apreciável fortuna. A cultura do algodeira não vingou em Piracicaba, porém, a enorme demanda por sacos par embalagem do açugar permitiu a sobrevivência desse unica industria textil em Piracicaba. A cidade, a essa época, era a terceira cidade da Província de São Paulo em número de escravos (5.339, dos 174.622), superada apenas por Bananal e Campinas. Mas, nas propriedades de Luiz de Queiroz, nunca houve mão de obra escrava. Em seu dinamismo, utilizou o transporte fluvial para sua produção, adquirindo barcos que navegavam pelos rios Piracicaba e Tietê até São Pedro, Dois Córregos e Jaú, na margem diretia, e Botucatu e Lençóis, na esquerda.  
E não foi a unica iniciativa de Luis Vincente:
Em 1878 instalou uma linha telefonica entre a sua fabrica e a Fazenda Santa Gertrudes,
em 1880 importou da França um carro de traçao animal, e em 1893, jà na Republica, foi responsavél pela illuminação eltrica da cidade de Piracicaba.

Intencionava edificar a fabrica de tecido nas margens do rio Piracicaba. Luiz de Queiroz
Fazenda Santa Genebra 
(Campinas) em 1880
precisava fechar algumas ruas, que não mais chegassem ao rio, especialmente a rua Flores. O seu primo, Dr. Estevão Ribeiro de Souza Rezende, depois Barão de Rezende, advogava a causa perante a Câmara..
Em 1874 foi assentada a primeira pedra do edificio tecelagem e entre os presentes o poderoso Barâo de Serra Negra, sogro do seu primo Barâo de Rezende.
Em 1878, Luiz de Queiroz instalou uma linha telefônica ligando a fábrica e a sua residência, Fazenda Santa Genebra sendo a primeira a funcionar em Piracicaba. Santa Genebra foi a mansão de seus tios, os Marqueses de Valença - hoje conhecida como Chácara Nazareth adquirida em 1850 pela família do Marquês de Valença. Após a morte deste, a fazenda foi herdada por seu filho mais novo, Geraldo Ribeiro de Sousa Resende, que se instalou no local em 1876.


Em 1880, Luiz de Queiroz casou-se com Ermelinda Ottoni, filha de Bárbara Barros Ottoni e Cristiano Ottoni, Conselheiro do Império. O casal vai morar na mansão que Luiz de Queiroz construíra entre as ruas do Vergueiro, das Flores e Pescadores, com vista para o salto do Rio Piracicaba e junto ao tecelagem. Várias espécies de plantas de origem européia são levadas para o jardim da mansão. Luiz Vincente de Souza Queiroz e Ermelinda não tiveram filhos e Luiz de Queiroz -- cujo apelido era Lulu -- dedicava-se , nos momentos de lazer, às plantas, desenvolvimento de parques e jardins e a obras de benemerência. Dona Ermelinda viveu sua existência doando-se às obras pias, ao catecismo e preparação de crianças para a primeira comunhão. De temperamento alegre e sociável, Luiz de Queiroz arborizou praças e grande número de ruas, oferecendo plantas ornamentais a conhecidos e amigos. Monta a Serraria Água Branca. Próximo à sua casa, Luiz de Queiroz constrói uma vila para os operários de sua fábrica.



Luiz Vincente decidira explorar as águas do rio para criar uma usina elétrica, acabando por oferecer, à municipalidade, sob contrato, a instalação da usina que forneceria energia a toda a cidade. Para isso, traz dos Estados Unidos toda a maquinaria e um engenheiro eletricista.

O prédio é construído inteiramente de pedras, em estilo estadunidense, à margem esquerda do Rio Piraciacba, defronte à Ilha dos Amores (atual Museu d´Água.) A usina teria duas turbinas com 250 cavalos de força e três dínamos Thompson & Houston.  O maior deles é destinado à iluminação particular, desenvolvendo 1.200 ampères e os dois outros, com 770 ampères, à iluminação pública. A usina é inaugurada em 6 de setembro de 1893 e, graças a ele, Piracicaba teve luz elétrica antes de qualquer nação sul-americana e de muitos países europeus, antes também de São Paulo e Rio de Janeiro.


Mas o seu abolicionismo radical començou a gerar desconforto entre os rapresentantes da classe dominante. A velha mentalidade agraria com base em escravidura foi chocada com o modelo de trabalho livre que Luiz Vicente introduzí em sua empresa. Ele manifestou-se um radical na questâo de escravismo e por sua formaçao européia era republicano vocacionado. Entre os anos 1885-1888 foi Presidente de Comissáo Abolicionista de Piracicaba, subindo a reação dos monarquistas e agrossenhores escravistas.

Concebeu um projeto de modernizaçao da agricultura brasileira recorrendo a subsidio oficial como da carta de 1891, mas não obteve a atençao esperada da parte do legislativo paulista, jà interessado em outros projetos. Tampouco, o seu primo, Antonio Francisco de Paula Souza, viria a conseguir os susidios oficiais para a escola de politécnica em São Paulo em 1893-1897.

Em 1889 ele arrematou em hasta pública  a sua Fazenda Sao Joao de Montanha pertencente a João Florêncio da Rocha. A proriedade tive 319 hectares e distante 3 km da cidade. Tendo vantajosa e pitoresca localização, com terras de excelente qualidade, e sendo banhada e contornada por dois mananciais de água – o rio Piracicaba e o ribeirão Piracicamirim -, a propriedade reunia boas condições para a prosperidade das culturas e o fim colimado.

Para a realização de seu ideal, Luiz de Queiroz embarcou para a Europa e a América do Norte. Na Inglaterra, encomendou a dois arquitetos o projeto para uma escola agrícola e fazenda modelo, e dos Estados Unidos trouxe um professor de Agricultura e dois arquitetos de nacionalidade espanhola. 
Ao retornar, pôs mãos a obra: duzentos trabalhadores entregaram-se febrilmente à construção da futura escola. Em 1892, já funcionavam no local duas olarias e uma serraria a vapor, a primeira de gênero na cidade.


Na perseguição de seus sonhos, Luiz de Queiroz pediu ao Governo do Estado uma subvenção para a construção da sua escola, a qual foi negada. Em vista da recusa, pediu pelo menos que lhe fosse concedido frete gratuito para os materiais destinados à construção do estabelecimento. Recebeu nova recusa. Durante 1890 -1905 em São Paulo, as escolas agricolas não foram fundados para falta de interesse politico. A classe dominante ligava-se pela agroexportação ao mercado international.Os resistentes as innovações dizem com ironia: "....Qual escola! para plantar batatas, não é preciso de estudar.."

No dia 11 de maio de 1892, a Câmara dos Deputados de São Paulo decidiu promulgar a lei nº 26, pela qual ficava, o Executivo paulista, autorizado a fundar uma escola superior de agricultura e uma de engenharia e a estabelecer, nos lugares que se julgassem apropriados, dez estações agronômicas com seus respectivos campos experimentais.  
Diante desse revoltante contraste, e com graves dificuldades financeiras Luiz de Queiroz recorreu a um estratagema : resolveu doar ao governo sua querida Fazenda São João da Montanha com todas as benfeitorias existentes na ocasião, com a condição de que, dentro do longo prazo de dez anos, fosse concluída e inaugurada sua sonhada Escola. Pelo Decreto nº 130, de 17 de novembro de 1892, o então Presidente do Estado, Bernardino de Campos, aceitou a doação da fazenda com todas as suas benfeitorias, “para nela ser levada a efeito a idéia do estabelecimento de uma escola agrícola ou instituto para educação profissional dos que se dedicam à lavoura”.

Em novembro de 1894, depois de vender tudo o que tinha em Piracicaba, á exceçăo da usina elétrica, Luiz de Queiroz muda-se para Săo Paulo. Na mesma época, compra grande extensőes de terra no norte do Paraná. As obras da construçăo da Escola Agrícola continuam caminhando a passos lentos, até que veio um tiro de misericórdia, quando o Peixoto Gomide, no Governo do Estado, resolve comprimir as despesas, paralisando totalmente as obras.
No governo do cel. Fernando Prestes de Albuquerque, tendo como Secretário da Agricultura Alfredo Guedes, foi promulgada a Lei nº 678, de 13 de setembro de 1899, do Serviço Agronômico do Estado, concedendo verba para continuação das obras, aquisição de móveis e material escolar. Mas é seu sucessor, Antônio Cândido Rodrigues, que decreta a Lei nº 863/A, de 29 de dezembro de 1900, criando a Escola Prática São João da Montanha, em Piracicaba

O prazo para a inauguração estipulado por Luiz de Queiroz estava prestes a findar-se. Como o prédio principal não estava acabado, Cândido Rodrigues mandou que se alugasse uma casa na cidade para a Escola nela funcionar provisoriamente.

Em março daquele ano, Cândido Rodrigues foi a Piracicaba para conhecer de perto o andamento que tomava a Escola Prática São João da Montanha. Ficou tão impressionado com o vulto da empresa a que se entregara seu idealizador que, de volta a São Paulo, oficiou ao Presidente do Estado, Francisco de Paula Rodrigues Alves, fazendo uma série de elogiosas considerações ao doador da fazenda e propondo a alteração do nome do estabelecimento para Escola Prática Luiz de Queiroz. Com muita justiça, o Decreto 882, de 18 de março de 1901, promoveu a modificação pleiteada. 

No dia 1o de maio de 1901 abriu-se a matrícula aos futuros alunos; vinte dias depois, iniciaram-se os exames de admissão. Foram aprovados onze alunos e três ouvintes. Finalmente, no dia 3 de junho de 1901 a cidade amanheceu em festa.O primeiro diretor da escola e respectivos professores, tomaram posse no dia 22 de janeiro de 1901. A inauguraçăo oficial, contudo, só se deu no dia 3 de junho. Grande festa com rojőes, banda de música, gente importante de fora e daqui e, entre elas, a mais digna: D. Ermelinda Ottoni de Souza Queiroz, esposa do falecido Luiz de Queiroz. 
Por decreto de 18 de fevereiro de 1905, reorganizaram a escola e deram-lhe novo regulamento. Terminaram o edifício principal, e a casa do Diretor foi reformada; construíram o lindo parque que circunda a escola, projeto do paisagista Arséne Puttmans. Em 14 de maio de 1907, o novo edifício e demais benfeitorias foram solenemente inaugurados. O edifício principal comportaria um internato, obrigatório para os alunos do curso fundamental e facultativo para os do complementar. Com essas inaugurações iniciou-se um período áureo para a Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz".
Em 12 de junho de 1964, os restos mortais de Luiz de Queiroz e Ermelinda foram transladados para o campus da ESALQ, onde estão em mausoléu, defronte ao prédio principal do estabelecimento, projetado pelo artista piracicabano Archimedes Dutra.Tem a seguinte inscrição:

A Luiz Vicente de Souza Queiroz

o teu monumento é a tua Escola.

textos citados
ESALQ
Revista eletronica de historia do Brasil 2007 elites politicas de Piracicaba na I. Republica.
Os Passos do saber por Marly Terezinha Germano Percin

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Capitão Mor Bento Paes de Barros - 1° Barão de Itu, 4° avô de Tiffany, e os fundadores de ARARAQUARA

O barão de Itu foi um dos meus tetravôs (4°avô). Gostei muito de seguinte biografia escrito por Beto Caloni, de Ararquara. Ele conte um pouco "diferente" do que se pode ler sobre os fundadores de Araraquara. Muito interessantes as conexões historicos com outros membros de famila Paes de Barros de Itu que podem explicar mais sobre essos entrelaçamentos politicos entre os varios "protagonistas" em essa epoca.


Caminhando para o bi-centenário de fundação da Freguezia de São Bento de Araraquara, que acontecerá em 2017, convém iniciarmos uma revisão da história regional e, antes de mais nada, corrigirmos injustiças. Por exemplo, dando os devidos créditos aos verdadeiros fundadores.
por BETO CALONI :

<<Há 124 a imprensa local repete a mesma lenda do suposto fundador Pedro José Neto que no final do século XVIII, fugindo da justiça de Itu aqui chegou e encontrou essa
região desabitada. A fundação da Freguezia foi obra de influentes latifundiários que usaram seus prestígios e juntos, idealizaram uma forma de iniciar a ocupação do Planalto e com isso valorizarem as terras obtidas gratuitamente da Coroa. O Padre Duarte Novaes doou o terreno – 400 braças quadradas (43,56 ha) que foram demarcadas no canto oeste da Sesmaria do Ouro por alguns moradores locais, entre eles Pedro José Neto e o Bento Paes de Barros, futuro 1° Barão de Itu. A legalização foi obtida pelo capitão comandante de Piracicaba, Domingos Soares de Barros e pelo padre Manuel Joaquim Amaral Gurgel, autoridade de destaque em Itu, ambos detentores de sesmarias aqui. A empreitada contou ainda com a colaboração imprescindível de Nicolau Pereira de Campos
Vergueiro, um dos mais importantes políticos da época e também proprietário da Fazenda do Monjolinho, nesta região. Pedro José Neto figura como o principal construtor da capelinha erguida no interior da quadra demarcada (atual praça da Matriz). Ele nunca morou no local, não tinha posse e prestígio para liderar a criação de uma Freguezia e nem fez nada nesse sentido. Além de entrar pra estória por um crime que nunca aconteceu, Pedro ofusca a verdadeira História e os demais fundadores que, de fato, iniciaram a ocupação do planalto.>>

 cap. mor Bento Paes de Barros, 1° Barão de Itu 



O Capitão Mor Bento Paes de Barros era filho do capitão Antonio de Barros Penteado, natural de Parnaíba e de Maria de Paula Machado, casados em 1778. Seu avô materno era Salvador Jorge Velho, que foi capitão mor de Itu. Em 1819 casou se com Leonarda de Aguiar, filha do Coronel Antonio Francisco de Aguiar e de Gertrudes Euphrosina Ayres. Quando jovem morou na Estrada do Pinhal e sempre excursionava nos Campos de Araraquara para caçar antas. Por isso ajudou na criação da Freguezia de São Bento de Araraquara, intercedendo junto às autoridades, demarcando as 400 braças quadradas no terreno doado pelo Padre Duarte Novaes para a construção da capelinha que deu origem ao povoado e também doou a primeira imagem sacra que ornamentou o humilde altar – São Bento – que ficou sendo o orago (padroeiro) da localidade. Foi ele também quem alinhou as primeiras ruas do nascente povoado e é, por isso o responsável pela posição geográfica da cidade. Usou como orientação o córrego Formoso que passava no pé da colina e o “picadão” (atual rua 9 de Julho) que passava próximo, demandando ao sertão. 
Homem de ação, caráter austero, coração nobre e generoso, gozou de grande stima e prestígio entre os seus conterrâneos. Foi o principal fundador da Santa Casa de Misericórdia de Itu, onde também foi vereador, juiz ordinário e juiz de paz. 

O imponente sobrado que construiu para sua residência ainda existe na rua Paula Souza, no centro histórico da cidade de Itu que outrora foi conhecida como “Ouro Preto Paulista”. No local posteriormente funcionou uma escola e hoje abriga o Espaço Cultural “Almeida Júnior”.











Integrou o grupo de rebeldes que ficou conhecido como “bernardistas” no episódio da independência do país. - (foi chefiada por o seu cunhado, o Brigadeiro Raphael Tobias de Aguiar e loutou tambem o irmão, o capitão Chico de Sorocaba, tambem cunhado do Brigadeiro, griffo Tiffany) -
Contestando o autoritarismo do ministro José Bonifácio de Andrada e Silva, motivaram a vinda do príncipe Pedro à São Paulo que os puniu com deportações para localidades dentro do país. Pouco tempo depois foram anistiados e se sentiram orgulhosos por terem demonstrando a união dos fazendeiros paulistas e servidos de pivô no Grito do Ipiranga.
Bento pertenceu ao Partido Liberal e na Revolução de 1842 foi o Presidente da Junta Militar de Itu. Em 1846 recebeu do Imperador o título de Barão de Itaim e depois alterou seu baronato para Barão de Itu. Bento era irmão do também liberal Antônio Paes de Barros, que em 1854 se tornou o 1º Barão de Piracicaba e pai do futuro Marques de Itu. Não se conhece a data de nascimento do Barão de Itu, mas sua morte ocorreu em sua terra natal em 9 de fevreiro de 1858.